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Turismo

Fazenda Juliana

A área que compreendia a Fazenda Juliana antes de 1860 foi comprada pelo Barão do Guaíba, Manoel Alves dos Reis Louzada de Antônio Augusto Probace Ruy. Em 23 de fevereiro de 1860, por permuta (Livro do Tabelionato nº4; p.85), Valeriano Francisco de Souza, troca uma área de terras localizadas na concessão de terras da Fazenda Boa Vista, herdada de sua mãe, Victoria Maria da Conceição (Inventário nº 40, M:2, E:101 de 1851), com o Barão do Guaíba Manoel Alves dos Reis Louzada. Em vários documentos do Arquivo Público de Porto Alegre, Valeriano Francisco de Souza tinha por intenção juntar seus bens, visto que era dono de várias propriedades e as últimas adquiridas, restringiam-se às próximas ao Arroio da Erva, onde se localizou depois, a sede da fazenda, hoje conhecida por Fazenda Juliana. A partir daí esta propriedade ficou sendo de Valeriano Francisco de Souza e Juliana Maria de Menezes. Depois de algum tempo, passou a designar-se Fazenda Juliana, sendo homenagem de Valeriano Francisco de Souza a sua esposa Juliana Maria de Menezes.

Segundo documentos e relatos de Antônio Gilson Martins, descendente de Valeriano Francisco de Souza e de Dona Juliana, o qual demonstrou numa planta da Fazenda onde consta a Escritura dos herdeiros que, esta Fazenda, em meados do século XIX, pertenceu a Valeriano Francisco de Souza e Juliana Maria de Menezes, residentes no local denominado Costa da Serra, no 2º Distrito de Taquary (Bom Retiro do Sul), numa área de 10.377.192 m², desde o Arroio Capivara em linha reta, até o lugar onde hoje é Localidade do Matutu. Com o falecimento de Valeriano a Fazenda passou a ser dirigida por Dona Juliana.

Na distribuição das terras, no local onde está o grande açude, seu Valeriano, vendo que o lugar tinha uma bela paisagem, construiu uma casa estilo portuguesa onde viveu por muito tempo com sua esposa, Dona Juliana. Ainda em vida, dividiu todo território a si pertencente, sendo que algumas partes ele deixou para seus descendentes e outras, vendeu a interessados. Uma das áreas herdadas foi a casa e o açude para a filha Maria Cândida (Maruca) e junto lhe deu uma porção de terras em nome de seu marido Cândido Garcia de Azevedo. Em honra à mãe Juliana, a Fazenda eterniza-se como Fazenda Juliana.

Gilson relata que, segundo histórias que o casal contava, não tiveram filhos biológicos, somente adotivos, criando-os com amor e carinho e, quando idosos, dividiram a Fazenda, distribuindo-a a seus descendentes. Afirmou também que, poucos anos antes de 1881, quando reformada e ampliada, a casa foi negociada com Procópio Francisco de Souza, filho do senhor Valeriano, nascido em 10/07/1854 no local e casado com Rosa, nascida em 24/12/1867, que tinha terras e residia perto do Arroio Capivara. Este, na divisão e distribuição de seus bens, presenteou a propriedade para o filho, Leontino Dornelles Martins, nascido no local, em 26/03/1887, casado com Filisbina (Binóca), nascida em 14/05/1887. Como seu pai havia feito, seu Leontino também o fez, presenteou a Fazenda a seu filho João Dornelles Martins, nascido no local em 23/11/1923 e, este fora casado com Maurícia Silva Martins, nascida em 23/02/1933.  Hoje, quem tenta preservar o lugar é Antônio Gilson Martins, nascido no local, em 18/01/1959.

A Casa Grande, em estilo português, tem 26 portas, 22 janelas com vidraças expostas. Na época, quem tinha janelas com vidro representava poder econômico, por ser artigo vindo de outros países e tinha alto preço; a casa é distribuída em quartos para os pais, filhos e visitas; com salas espaçosas, cozinha e despensas só com a porta de entrada, pois o local não podia ter radiação de luz, preservando assim, a naturalidade dos produtos alimentícios; varanda e banheiros que foram construídos, a partir da metade do Século XX.

As paredes externas da casa foram construídas em pau a pique, cavacos de pedra, ripas e barro, as mais recentes têm a presença de areia e cal; as paredes internas eram de tábuas estreitas de madeira de lei, bem como as janelas e portas constituídas de madeira de cedro e louro; as telhas em forma de canoa, presume-se terem sido moldadas nas coxas dos escravos.

Quanto ao açude, que fica em frente à propriedade, também foi construído na época da primeira parte da casa grande com ajuda de escravos que cavavam a terra com ferramentas trazidas por seus donatários. Erguiam o muro ou a taipa levando a terra em couro de boi e as pedras arrastadas com cordas ou sendo roladas. Acredita-se que na lagoa tenha, além de peixes, capivaras e até jacarés. As águas, além de serem usadas para as necessidades básicas da Casa Grande, também eram usadas para os animais e para mover a Serra de Engenho e a atafona, mais recentemente, também movia uma turbina para a geração de energia elétrica à propriedade.

Na atafona era produzida farinha de mandioca e junto havia uma roda d´água que movimentava um moinho para a produção de farinha de milho e também uma serra para o corte de tábuas para serem usadas na construção de estabelecimentos na propriedade e para vender na região, assim como os outros produtos.


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